Entrevista com avatar: Larinha Camel

Loira, cabelos longos e lisos, com corpo malhado,  vestida com calça jeans bem apertada e com uma blusinha branca decotada, usando botas de cano alto, pulseiras e brincos brilhantes, o avatar Larinha Camel chama atenção.

Jéssica – Há quanto tempo você joga?
Larinha – Eu jogo há 10 meses. Todos os dias eu entro e fico das 09hs às 14hs. Desde que eu comecei a jogar, só não entrei dois dias, porque fiquei doente.

Jéssica – Por que você decidiu jogar Second Life?
Larinha – Sou meio boba, gosto de brincar de bonecos (risos). Brincadeira! Fiquei curiosa de saber como era, fiz um avatar, gostei e nunca mais parei. Acabei viciada.

Jéssica – Você conhece muita gente aqui no jogo?
Larinha – Eu entro todos os dias, então faço muitos amigos aqui. Amigos sinceros que sempre estiveram do meu lado. Amigos também me decepcionaram. Já tive muitas alegrias e também muitas tristezas. Já ri muito e já chorei muito também.

Jéssica – Como é se relacionar com pessoas diferentes e no mundo virtual?
Larinha – Porque na verdade somos todas pessoas. Quem está falando com você agora sou eu e não o meu avatar. As palavras estão vindo de mim como pessoa. Se eu não for gentil contigo, não falar direito, você vai sentir. Não somos apenas “bonecos”, somos pessoas. Eu posso fazer alguém gostar muito de mim, como também posso gostar muito de alguém ou o contrário.

Comércio quase real no Second Life

Segundo dados do site oficial, há uma movimentação no Second Life de cerca de US$ 30 milhões por mês. Número que atrai cada vez mais empresas a participar do jogo.

O Second Life ultrapassou a marca de 2 milhões de usuários cadastrados. Lançado em 2003, o misto de jogo com comunidade de relacionamentos online passou a ser assunto de reportagens e palco para ações de marketing de diversas empresas multinacionais. Um dos motivos que levam as empresas a investirem no Second Life é associar a marca à inovação e ter acesso a novas experiências comerciais.

Mas como é possível que exista um comércio virtual? Há diversas maneiras de se obter uma fonte de renda, criando objetos, construindo imóveis, comprando acessórios para os avatares e trabalhando. Os usuários passam a adquirir produtos e contratar serviços virtuais, para aprimorar o seu avatar. Esse consumo desenvolve uma demanda que possibilita que outros usuários criem e comercializem de modo a suprir essa demanda. E com isso cria-se uma economia virtual e uma fonte de renda e de negócio também. Através de uma moeda própria, o Linden Dollar, o Second Life se torna um bom instrumento para as empresas divulgarem e venderem os seus produtos.
Um dos motivos que levam as empresas a investirem no Second Life é associar a marca à inovação e ter acesso a novas experiências comerciais.

Várias empresas já participam do Second Life.  Dentre elas, destaca-se a Coca-Cola, que lançou um concurso para a criação de uma máquina de venda de latinhas virtuais de seu refrigerante no mundo virtual. A Nissan criou um estande com vários modelos de carros e até uma pista de provas para seus carros. A Philips faz muito mais do que criar produtos e apresentá-los aos consumidores. Ela primeiramente coleta as opiniões dos consumidores.

tam_sl2Dentre as empresas brasileiras que se destacam estão: a Canção Nova que é uma Comunidade Católica que tem como objetivo principal a evangelização através dos meios de comunicação. Foi criado um prédio como ambiente de evangelização, palestras e divulgação de eventos. E a TAM que é o endereço que mais tem recebido visitas, pois existe um memorial virtual, em homenagem às vítimas do acidente de Congonhas ocorrido em 19 de julho de 2007.

Enfim, cada vez mais o Second Life coloca em xeque a divisão da vida real e virtual. As vantagens e desvantagens com relação a isso só o tempo e as “pessoas reais” poderão responder.

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